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Como estão seus níveis de Vitamina D? Conheça os sintomas de deficiência e como tratá-los

Sem dúvidas é maravilhosa a sensação de aproveitar o sol em um dia de verão. Isso porque os raios solares são absorvidos por sua pele e iniciam reações químicas, o que é muito saudável para o organismo.

Esses raios UVB são absorvidos pelo 7-dehidrocolesterol na pele e convertidos em pré-vitamina D3. Cada célula e órgão do seu corpo necessita dessa vitamina.

Durante muitos anos, todos os benefícios da vitamina D foram uma incógnita para pesquisadores e especialistas. Isso mudou. Agora é notório que sem ela, os ossos ficam mais fracos, ficamos mais suscetíveis à infecções, diabetes e até à morte por qualquer causa, além de fadiga e dores nas juntas. A falta de vitamina D nos prejudica muito!

Se o sol é acessível a todos, por que a deficiência de vitamina D é uma epidemia mundial?

O sol brilha na maior parte do mundo e, ainda assim, a deficiência de vitamina D é uma epidemia mundial nos dias de hoje. Quase 1 milhão de pessoas têm deficiência dessa substância, o que é uma ameaça para uma vida saudável.

Nos Estados Unidos cerca de 64% da população não possui vitamina D suficiente no corpo para manter todos os tecidos atuando perfeitamente. Será que seus níveis de vitamina D estão normais? Continue lendo para saber mais sobre o assunto!

A deficiência de vitamina D está relacionada às propagandas sobre utilizar protetores solares?

Um dos motivos para tantas pessoas estarem com deficiência dessa substância é a crença que os raios solares são nocivos. Durante muitos anos, a Sociedade Americana de Câncer, médicos e dermatologistas desenvolveram campanhas educacionais sobre o perigo do câncer de pele devido aos raios solares. Sempre foi recomendado passar uma camada espessa de filtro solar antes de sair de casa, certo?

Prevenir as queimaduras de sol é importante para evitar o câncer de pele, mas obter a quantidade suficiente de vitamina D é essencial.

De acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças, as taxas de mortalidade por câncer de pele do tipo melanoma subiram 4% ao ano nos Estados Unidos desde 1973. Tais casos foram responsáveis por 79% dos óbitos relacionados ao câncer de pele. Por esse motivo, o desespero em se esconder do sol alastrou-se ao redor do mundo.

Mais de 20 anos depois – em 1999 – pesquisadores australianos declararam que o uso de protetor solar protegia, em média, 40% contra o carcinoma de células escamosas, mas não contra o melanoma nem o carcinoma basocelular.

Apesar disso, a famosa música “Filtro Solar”, com partes narradas por Pedro Bial, difundiu o uso do protetor entre os brasileiros, tornando-se um costume: entre todas as experiências de vida e se pudesse escolher um conselho mais importante, seria nunca deixar de passar o protetor solar.

Os dois problemas do protetor solar

A luz do sol é composta principalmente de raios UVA e UVB. Utilizamos o filtro solar para evitar o câncer de pele e o envelhecimento cutâneo, mas o protetor bloqueia a maioria dos raios UVB, não UVA, que são os reais causadores do câncer de pele. Fomos orientados a passar protetor com FPS 15 ou mais e aplicá-lo novamente quando ficarmos expostos ao sol, se transpirarmos, entrarmos na piscina ou no mar, nos secarmos com a toalha e até mesmo quando o dia está nublado. Se pensarmos que o protetor bloqueia os raios UVB e não os UVA, na realidade é até mais fácil contrair câncer de pele. E o que isso faz com os níveis de vitamina D?

Pesquisadores ficaram sem saber essa resposta por muito tempo.

O protetor solar é composto por diferentes substâncias, que podem ser separadas em duas listas: uma de substâncias que absorvem a radiação UVA (protetores UVA) e outra que absorve a radiação UVB (protetores UVB).

Sendo assim, o uso do protetor solar na verdade causa dois problemas:

  1. Ficamos mais expostos aos raios UVA causadores de câncer pois não sentimos a ardência.
  2. Ficamos menos expostos aos raios UVB que estimulam a produção de vitamina D.

Fizemos uma lista de alguns componentes:

Protetores UVB

  • Cinamato
  • Etilhexil Metoxicinamato
  • Gliceril aminobenzoato
  • Homomentila salicilato
  • PABA
  • Padimate O
  • Padimate A
  • Salicilato de octilo
  • Octildimetil PABA
  • Octocrileno
  • Metoxicinamato de ctilo
  • Salicilatos
  • Trietanolamina
  • Dióxido de titânio
  • Óxido de zinco

Protetores UVA

  • Avobenzona
  • Benzofenona
  • Dioxibenzona
  • Oxibenzona

Se um componente do protetor solar bloqueia os raios UVB, na realidade está bloqueando os raios solares para absorção de vitamina D. O uso de filtro solar com FPS 15 impede em até 99% que nosso corpo transforme esses raios em vitamina D pois, ao bloquear os raios UVB, nosso corpo não consegue gerar vitamina D. Isso significa não obter vitamina D da principal fonte existente: o sol!

Enquanto isso, ficamos expostos aos raios UVA, causadores de câncer.

Dermatologistas dizem que a partir de uma dieta rica em alimentos naturais que contêm vitamina D, podemos obter a quantidade suficiente dessa substância. Ainda assim, temos um índice de deficiência em 65% da população e na maioria de nossos familiares, tanto jovens quanto idosos.

Qual o motivo de não obtermos vitamina D suficiente nos alimentos? Observe os alimentos a seguir, que são as melhores fontes* dessa vitamina:

As melhores fontes de vitamina D:

  • Óleo de fígado de bacalhau, 1 colher de sopa contém 1360 UI
  • Peixe-espada cozido, 30ml contém 566 UI
  • Salmão-vermelho cozido, 30ml contém 447 UI
  • Atum enlatado em água, 30 ml contém 154 UI
  • Suco de laranja fortificado com vitamina D, 1 copo (250ml) contém 137 UI
  • Leite de qualquer tipo, fortificado com vitamina D, 1copo (250ml) contém 115-124 UI
  • Iogurte fortificado com vitamina D, 180ml contém 80 UI
  • Ovo grande inteiro contém 41 UI
  • Cereais fortificados, 1 copo (250ml) contém 40 UI

*informações retiradas do National Institutes of Health

Esses são os alimentos que mais contêm vitamina D. Claramente, se quisermos obter no mínimo 2000 UI por dia, não há melhor forma além de comer óleo de fígado de bacalhau todos os dias. Não parece ser muito apetitoso.

A vitamina D é mais importante do que pensa a maioria

Os níveis saudáveis de vitamina D no sangue devem ser 50 ng/ml. Especialistas em medicina alternativa recomendam níveis maiores caso a pessoa possua histórico de câncer.

Ainda assim, a maioria dos médicos parece aceitar o nível de 30 ng/ml. A Sociedade Brasileira de Endocrinologia divulgou sua diretriz clínica em 2011 onde foi recomendado que deve ser consumida ao menos 1500-2000 UI de vitamina D, em forma de suplemento, por adultos e ao menos 1000 UI por dia por crianças e adolescentes, com o objetivo de aumentar baixos níveis dessa substância.

Se seus níveis de vitamina D estão baixos, você está suscetível a uma variedade de doenças.

Os sintomas de deficiência de vitamina D e suas doenças

A deficiência de vitamina D está diretamente relacionada a estes sintomas:

  • Osteomalacia – causa amolecimento dos ossos em adultos
  • Câncer de cólon, próstata, pâncreas e seios (consegue imaginar alguém que gostaria de ter isso?)
  • Infecções (Não é normal ficar sempre gripado ou resfriado)
  • Doenças cardíacas
  • Osteoporose (Ossos frágeis)
  • Diabetes dos tipos 1 e 2
  • Hipertensão
  • Esclerose múltipla
  • Falecimento devido a qualquer causa

Quase todas as pessoas que têm insuficiência cardíaca possuem baixos níveis de vitamina D. Na verdade, cientistas descobriram que cada parte do sistema cardíaco e circulatório possui diversos receptores de vitamina D. O sistema circulatório inteiro depende de vitamina D para funcionar perfeitamente.

Você ou alguém da sua família possui diabetes? Pode não ser genético mas talvez esteja relacionado à deficiência de vitamina D.

Esse nutriente também possui um papel fundamental em ambos os tipos de diabetes. Está comprovado que pessoas diabéticas possuem baixos níveis de vitamina D. Estudos mostram que a deficiência dessa substância faz com que fiquemos 91% mais suscetíveis à resistência à insulina e dobra o risco de desenvolver diabetes.

Pessoas com Alzheimer e Parkinson geralmente possuem baixos níveis de vitamina D também.

Talvez você não tenha Alzheimer ou Parkinson… E, obviamente, isso é ótimo! Mas já notou alguma perda de memória ou diminuição na rapidez das funções cerebrais?

Estudos realizados a longo prazo mostram que a falta de vitamina D aumenta o risco de qualquer tipo de declínio cognitivo de 40% a 60%. O aprendizado e a memória dependem da vitamina D.

Ainda não foi comprovado que existe relação entre a vitamina D e os problemas de aprendizado em crianças. Seria interessante fazer um exame para garantir que a falta dessa substância não está interferindo em sua capacidade de aprender.

Baixos níveis de vitamina D no sangue estão profundamente relacionados a um risco maior de câncer. Pesquisas mostram que isso pode aumentar o risco de desenvolvimento de câncer de 83% a 150%

Há também uma relação direta entre a deficiência de vitamina D e a disfunção autoimune. A doença não é agravada após a restauração dos níveis normais dessa substância.

Quase todo tipo de célula e cada tipo de tecido em seu corpo possui receptores de vitamina D.

Isso significa que cada célula necessita dessa vitamina para ser saudável. Também nos mostra que é necessário ingerir mais que 300 UI (e até mesmo mais que 800 UI!) por dia para auxiliar todas as funções.

O que fazer então? É viável comer peixe-espada, salmão e atum todos os dias? Ou seria melhor criar o hábito de comer uma colher de sopa de óleo de fígado de bacalhau, como era costume nos anos 50 e 60? Existe outra forma melhor?

 Como tratar a deficiência de vitamina D?

Parte do problema em diagnosticar a falta de vitamina D é que não existem sinais nítidos dessa deficiência. Alguns desses sinais incluem: depressão, cabeça suada, distúrbios intestinais e dores nos ossos e juntas – e e esses podem estar relacionados a muitas outras causas.

Já que é grande a probabilidade de você estar entre os 65% da população que têm deficiência de vitamina D, é necessário fazer um exame de sangue para ter certeza. Muitas vezes os médicos não solicitam o exame de 25-hidroxivitamina D, portanto você terá que solicitá-lo e não esqueça: é muito importante.

Não deixe para depois! Quanto mais adiar, maior o risco de desenvolver os problemas de saúde já mencionados aqui!

Após o resultado você poderá tomar as providências necessárias e, com o auxilio do seu médico, encontrar o melhor tratamento.

Caso tenha deficiência de vitamina D, será recomendado um desses 3 tratamentos:

  1. Consumir mais alimentos ricos em vitamina D e tomar mais sol;
  2. Ingerir vitamina D em gotas ou cápsulas por um certo período , geralmente doses de 50.000 UI de vitamina D2;
  3. Consumir suplementos de vitamina D3.

Por que a primeira recomendação não funciona

Já sabemos que a primeira recomendação não vai dar certo. A exposição ao sol geralmente é uma ótima solução, supondo que onde você mora é possível tomar sol e dependendo da estação do ano. Outro problema é que algumas pessoas não absorvem vitamina D tão bem quanto outras.

Não é garantido que seus níveis de vitamina D aumentarão suficientemente ao tomar sol. A região em que você mora afeta a quantidade de luz solar que você absorve; os problemas de saúde também.

Por exemplo: se está obeso, provavelmente você tem absorção anormal de vitamina D. Caso tenha algum tipo de doença no fígado, no rim ou digestiva, seu corpo não consegue absorver a vitamina através da pele.

Se sua pele é escura, você não absorve tanto os raios de sol quanto pessoas com pele mais clara. Se vive mais ao norte do equador, será mais difícil absorver mais vitamina D a partir do sol.

Se estiver ingerindo certos tipos de medicamento, incluindo esteroides, remédios para perder peso, anticonvulsivos ou colestiramina para baixar o colesterol, há um grande risco de não absorver vitamina D suficiente a partir do sol.

Tudo isso significa que você não pode contar com a exposição ao sol por 10 ou 20 minutos por dia para elevar seus níveis de vitamina D.

É possível calcular quanto é necessário se expor ao sol para obter 1000 UI, baseado em sua localização geográfica. Clique aqui para fazer o cálculo (site em inglês). Lembre-se que esse cálculo não considera se você possui problemas de absorção devido a diferentes tipos de doenças ou medicamentos que interferem na captação de vitamina D.

Em estudo realizado em 2010 no Memorial Sloan Kettering Cancer Center, em Nova Iorque, pesquisadores descobriram que passar de 3 a 8 minutos com 25,5% do corpo exposto ao sol ao meio dia (EST), no inverno de Boston, sintetizaria 400 UI de vitamina D. Dessa forma, seria necessário ficar exposto de 38 a 75 minutos por dia para obter 5000 UI.

Por que a segunda recomendação não funciona

Às vezes, seu médico optará pela ingestão de formas farmacêuticas de vitamina D. É compreensível, já que esses profissionais quase sempre utilizam medicamentos ao invés de produtos naturais, ainda que muitos já estejam utilizando uma alimentação melhor como tratamento. Entretanto, a vitamina D2 não é tão intensa e não dura tanto no corpo quanto a vitamina D3 . Consequentemente, os médicos escolhem um método menos eficiente para executar corretamente a tarefa de aumentar seus níveis de vitamina D.

Além disso, estudos ainda não mostram se a ingestão de uma grande quantidade de vitamina D seja mais eficaz que ingerir menores quantidades durante algum tempo. O corpo está acostumado a ingerir pequenas doses e não se sabe ao certo se maiores quantidades podem afetar outras partes do corpo. A segurança é o principal.

Nutricionistas recomendam a ingestão de 5000-10.000 UI de vitamina D3 por dia, durante 3 a 6 meses, para adultos para recuperar os níveis normais de vitamina D. Em seguida, deve-se diminuir a dosagem para 15.000 UI por semana.

Crianças precisam de, no mínimo, 400 UI por dia, apesar de ser aconselhável até 1000 UI. Normalizar esses níveis influencia na quantidade de gripes e resfriados contraídos ao longo da infância.

Por que a terceira recomendação é a única que realmente funciona para elevar os níveis de vitamina D

Os suplementos de vitamina D3 são ideais. Com eles, seus níveis dessa substância irão aumentar de forma equilibrada e contínua. Caso tenha qualquer sintoma de falta de vitamina D, eles começarão a desaparecer logo na primeira semana.

Quando obtiver os primeiros resultados, você deve iniciar o tratamento e fazer o teste novamente em três meses, para estabelecer o período que você necessitará de doses terapêuticas mais elevadas. O exame pode ser refeito anualmente, para certificar-se que os níveis estão normais.

Quando o assunto é saúde, é muito importante acompanhar de perto todos os resultados. É prudente diagnosticar e tratar a falta de vitamina D, solicitando os exames ao seu médico. Sua saúde vale muito e somente quando ficamos doentes que percebemos seu real valor. Procure seu médico ou nutricionista para manter seus níveis de vitamina D regulados!

Fontes
  • American Cancer Society Skin Cancer Prevention Activities. Accessed July 13, 2015. http://www.cancer.org/healthy/morewaysacshelpsyoustaywell/acs-skin-cancer-prevention-activities
  • https://ods.od.nih.gov/factsheets/VitaminD-HealthProfessional/#h3
  • Holick, M.F. Sunlight, ultraviolet radiation, vitamin D and skin cancer: how much sunlight do we need? Adv Exp Med Biol 2014; 810: 1-16.
  • www.skinmedica.com
    http://www.skinmedica.com/beautytalk/vitamin-d-deficiency-and-sunscreen
  • Choosing the Best Sunscreen Ingredients. Accessed July 13, 2015. http://www.sunscreeningredients.com/
  • The Ingredients in Sunscreen Destroying Your Health. Accessed July 13, 2015. http://foodbabe.com/2013/05/05/what-you-need-to-know-before-you-ever-buy-sunscreen-again/
  • http://www.edoctoronline.com/diseases-conditions.asp?Sunscreen-Skin-Cancer-and-UVA=0&c=2&articleid=838
  • Lips, P., van Schoor, N.M., and de Jongh, R.T. Diet, sun, and lifestyle as determinants of vitamin D status. Ann NY Acad Sci 2014 May; 1317: 92-98.
  • Terushkin, V., et al. Estimated equivalency of vitamin D production from natural sunshine versus oral vitamin D supplementation across seasons at two U.S. latitudes. J Am Acad Dermatol 2010 Jun; 62(6): 929.

 

About the author

Dr. France Carpentier


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